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A CORUJINHA
Corujinha
Corujinha, corujinha
Que peninha de você
Fica toda encolhidinha
Sempre olhando não sei que
O teu canto de repente
Faz a gente estremecer
Corujinha, pobrezinha
Todo mundo que te vê
Diz assim, ah! coitadinha
Que feinha que é você
Quando a noite vem chegando
Chega o teu amanhecer
E se o sol vem despontando
Vais voando te esconder
Hoje em dia andas vaidosa
Orgulhosa com quê
Toda noite tua carinha
Aparece na TV
Corujinha, corujinha
Que feinha que é você!

TERNURA
Ternura
Vinicius de Moraes
Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar
[ extático da aurora.
Texto extraído da antologia "Vinicius de Moraes - Poesia completa e prosa", Editora Nova Aguilar - Rio de Janeiro, 1998, pág. 259.
Fonte: Projeto Releituras
O ÚLTIMO TRABALHO DE VINÍCIUS
...Vinicius sente sua saúde debilitada. E, em 1979, numa volta de viagem à Europa, sofre um derrame cerebral no avião. Mesmo enfraquecido, Vinicius mantém seus hábitos: bebe, fuma, cria… e retoma seu projeto infantil. Além das músicas criadas com Paulo Soledade, adapta as italianas e, com Toquinho, concebe novas melodias para outros poemas. A intenção é lançar dois discos com suas canções para crianças.
Toquinho, que na época mora com o amigo na Gávea, disse que na noite de 8 de julho de 1980 eles entraram madrugada adentro conversando. Num determinado momento, Vinicius fala que vai tomar um banho e descansar. No banheiro, tem dificuldades em respirar. É encontrado deitado na banheira na manhã seguinte pela empregada. Acudido por Toquinho e Gilda, não resiste. Morre em 9 de julho vítima de edema pulmonar. “Estávamos escolhendo os intérpretes para gravar a segunda versão da ‘Arca de Noé’. E o mais incrível é que no dia em que ele morreu, e foi de manhãzinha, passamos a madrugada toda conversando e recordando tantas coisas, só nós dois, ao som do violão. Um dos assuntos era a escolha dos intérpretes. Ele ria muito ao lembrar das Frenéticas cantando ‘Aula de Piano’ e imaginar Ney Matogrosso no papel de ‘A Galinha d’Angola’”, explica o parceiro.
Em entrevista a Tárik de Souza, o produtor Fernando Faro reafirma que Vinicius trabalhou até pouco antes de morrer. “Na madrugada em que se foi, vertia do italiano para o português os poemas da Arca. E cobrava de mim: ‘Faro, me dá logo esse treco!’. Ele respirava esse disco, atento a todos os detalhes”, conta o produtor dos shows e dos álbuns da dupla Toquinho-Vinicius.
Nesse processo das escolhas dos poemas, o poeta percebe que perdeu uma das músicas. “O Vinicius era muito desorganizado. Quando ele estava separando as músicas que entrariam no segundo disco, percebeu que havia perdido o poema ‘O Pintinho’. Eu tive de traduzir a versão italiana lançada pelo Sergio Endrigo como ‘Il Pulcino’. E aí ele refez o poema a partir da minha tradução”, relembra Gilda.
A primeira A Arca de Noé é lançada pela gravadora Ariola em LP e fita-cassete numa sexta-feira, 10 outubro de 1980, numa operação casada com a TV Globo, que produz o especial Vinicius para Crianças, apresentado naquele mesmo dia. Apesar de ter sido gravado pouco depois do primeiro, o segundo volume da Arca chega ao mercado no ano seguinte.
INFORMAÇÕES RETIRADAS ATRAVÉS DO SITE (ITAÚ CULTURAL): www.albumitaucultural.org.br
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