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A ARCA DE NOÉ... MAIS QUE UMA SIMPLES OBRA.

A Arca de Noé

     Uma coleção de Poemas, Sonetos e Composições que cresceu e se transformou em: Canções, Peças de Teatro, Livros, Desenhos, Temas de Festas, entre outros. Fizeram  parte de muitas Trilhas sonoras de Seriados, Novelas, Comerciais e outras grandes obras. Além da imensa popularidade que atraiu crianças, jovens, adultos, educadores e artistas famosos que tornaram-se também grandes amigos do nosso Poetinha. 
    Os álbuns foram recordistas de vendas por públicos de diferentes culturas e com diversidade de gêneros. 
    Além disso, todas as composições baseavam-se nesta linda história bíblica. Que se inicia com sofrimento, segue com provas de fé e termina com o Arco Íris que é o símbolo da Aliança de Deus com o mundo! Uma aliança que não sabemos onde começa nem onde termina, pois é infinita! 

Por: Paula Oliveira 

A BÍBLIA

A BÍBLIA

Toquinho E Vinícius de Moraes

A Bíblia já dizia
Pra quem sabe entender
Que há tempo de alegria

Que há tempo de sofrer
Que o tempo só não conta
Pra quem não tem paixão
E que depois do encontro
Sempre tem separação
Que o dia que é da caça
Não é do caçador
E que na alternativa
Viva e viva
E viva o amor

A gente vem da guerra
Pra merecer a paz
Depois faz outra guerra
Porque não pode mais
E deixa andar e deixa andar
Até a guerra terminar
Vamos curtir, vamos cantar
Até a guerra se acabar

Tonga Editora Musical LTDA

O COMEÇO DE TUDO...

O COMEÇO...

No fim dos anos 1920, Vinicius de Moraes produziu letras para dez canções gravadas - nove delas parcerias com os Irmãos Tapajós. Seu primeiro registro como letrista veio em 1928, quando compôs (com Haroldo) "Loira ou Morena", gravado em 1932 pela dupla de irmãos. Vinicius teve publicado seu primeiro livro de poemas, O Caminho para a Distância, em 1933, e lançou outros livros de poemas nessa década. Foram também gravadas outras canções de sua autoria, como "Dor de uma Saudade" (composta com Joaquim Medina), gravada em 1933 por João Petra de Barros e Joaquim Medina, "O Beijo Que Você Não Quis Dar" (composta com Haroldo Tapajós) e "Canção da Noite" (composta com Paulo Tapajós), ambas gravadas em 1933 pelos Irmãos Tapajós e também "Canção para Alguém" (composta com Haroldo Tapajós), gravada pelos mesmos um ano depois.
Ainda na década de 1930, Vinicius de Moraes estabeleceu amizade com os poetas Manuel Bandeira, Mário de Andrade e Oswald de Andrade. Em sua fase considerada mística, ele recebeu o Prêmio Felipe D'Oliveira pelo livro Forma e Exegese, de 1935. No ano seguinte, lançou o livro Ariana, a Mulher.
Declarava-se partidário do Integralismo, partido brasileiro de orientação fascista.


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A CORUJINHA

Corujinha


Corujinha, corujinha
Que peninha de você
Fica toda encolhidinha
Sempre olhando não sei que
O teu canto de repente
Faz a gente estremecer
Corujinha, pobrezinha
Todo mundo que te vê
Diz assim, ah! coitadinha
Que feinha que é você

Quando a noite vem chegando
Chega o teu amanhecer
E se o sol vem despontando
Vais voando te esconder
Hoje em dia andas vaidosa
Orgulhosa com quê
Toda noite tua carinha
Aparece na TV
Corujinha, corujinha
Que feinha que é você!

UMA MULHER CHAMADA GUITARRA


Uma Mulher Chamada Guitarra

Vinicius de Moraes


UM DIA
, casualmente, eu disse a um amigo que a guitarra, ou violão, era "a música em forma de mulher". A frase o encantou e ele a andou espalhando como se ela constituísse o que os franceses chamam um mot d'esprit. Pesa-me ponderar que ela não quer ser nada disso; é, melhor, a pura verdade dos fatos.

0 violão é não só a música (com todas as suas possibilidades orquestrais latentes) em forma de mulher, como, de todos os instrumentos musicais que se inspiram na forma feminina — viola, violino, bandolim, violoncelo, contrabaixo — o único que representa a mulher ideal: nem grande, nem pequena; de pescoço alongado, ombros redondos e suaves, cintura fina e ancas plenas; cultivada, mas sem jactância; relutante em exibir-se, a não ser pela mão daquele a quem ama; atenta e obediente ao seu amado, mas sem perda de caráter e dignidade; e, na intimidade, terna, sábia e apaixonada. Há mulheres-violino, mulheres-violoncelo e até mulheres-contrabaixo.

Mas como recusam-se a estabelecer aquela íntima relação que o violão oferece; como negam-se a se deixar cantar, preferindo tornar-se objeto de solos ou partes orquestrais; como respondem mal ao contato dos dedos para se deixar vibrar, em benefício de agentes excitantes como arcos e palhetas, serão sempre preteridas, no final, pelas mulheres-violão, que um homem pode, sempre que quer, ter carinhosamente em seus braços e com ela passar horas de maravilhoso isolamento, sem necessidade, seja de tê-la em posições pouco cristãs, como acontece com os violoncelos, seja de estar obrigatoriamente de pé diante delas, como se dá com os contrabaixos.

Mesmo uma mulher-bandolim (vale dizer: um bandolim), se não encontrar um Jacob pela frente, está roubada. Sua voz é por demais estrídula para que se a suporte além de meia hora. E é nisso que a guitarra, ou violão (vale dizer: a mulher-violão), leva todas as vantagens. Nas mãos de um Segovia, de um Barrios, de um Sanz de la Mazza, de um Bonfá, de um Baden Powell, pode brilhar tão bem em sociedade quanto um violino nas mãos de um Oistrakh ou um violoncelo nas mãos de um Casals. Enquanto que aqueles instrumentos dificilmente poderão atingir a pungência ou a bossa peculiares que um violão pode ter, quer tocado canhestramente por um Jayme Ovalle ou um Manuel Bandeira, quer "passado na cara" por um João Gilberto ou mesmo o crioulo Zé-com-Fome, da Favela do Esqueleto.

Divino, delicioso instrumento que se casa tão bem com o amor e tudo o que, nos instantes mais belos da natureza, induz ao maravilhoso abandono! E não é à toa que um dos seus mais antigos ascendentes se chama viola d'amore, como a prenunciar o doce fenômeno de tantos corações diariamente feridos pelo melodioso acento de suas cordas... Até na maneira de ser tocado — contra o peito — lembra a mulher que se aninha nos braços do seu amado e, sem dizer-lhe nada, parece suplicar com beijos e carinhos que ele a tome toda, faça-a vibrar no mais fundo de si mesma, e a ame acima de tudo, pois do contrário ela não poderá ser nunca totalmente sua.

Ponha-se num céu alto uma Lua tranqüila. Pede ela um contrabaixo? Nunca! Um violoncelo? Talvez, mas só se por trás dele houvesse um Casals. Um bandolim? Nem por sombra! Um bandolim, com seus tremolos, lhe perturbaria o luminoso êxtase. E o que pede então (direis) uma Lua tranqüila num céu alto? E eu vos responderei; um violão. Pois dentre os instrumentos musicais criados pela mão do homem, só o violão é capaz de ouvir e de entender a Lua.


Texto extraído do livro "Para Viver um Grande Amor", José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1984, pág. 14.

TERNURA

Ternura

Vinicius de Moraes


Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar 
                                                                     [ extático da aurora.


Texto extraído da antologia "Vinicius de Moraes - Poesia completa e   prosa", Editora Nova Aguilar - Rio de Janeiro, 1998, pág. 259.

Fonte: Projeto Releituras


O ÚLTIMO TRABALHO DE VINÍCIUS






    ...Vinicius sente sua saúde debilitada. E, em 1979, numa volta de viagem à Europa, sofre um derrame cerebral no avião. Mesmo enfraquecido, Vinicius mantém seus hábitos: bebe, fuma, cria… e retoma seu projeto infantil. Além das músicas criadas com Paulo Soledade, adapta as italianas e, com Toquinho, concebe novas melodias para outros poemas. A intenção é lançar dois discos com suas canções para crianças.
Toquinho, que na época mora com o amigo na Gávea, disse que na noite de 8 de julho de 1980 eles entraram madrugada adentro conversando. Num determinado momento, Vinicius fala que vai tomar um banho e descansar. No banheiro, tem dificuldades em respirar. É encontrado deitado na banheira na manhã seguinte pela empregada. Acudido por Toquinho e Gilda, não resiste. Morre em 9 de julho vítima de edema pulmonar. “Estávamos escolhendo os intérpretes para gravar a segunda versão da ‘Arca de Noé’. E o mais incrível é que no dia em que ele morreu, e foi de manhãzinha, passamos a madrugada toda conversando e recordando tantas coisas, só nós dois, ao som do violão. Um dos assuntos era a escolha dos intérpretes. Ele ria muito ao lembrar das Frenéticas cantando ‘Aula de Piano’ e imaginar Ney Matogrosso no papel de ‘A Galinha d’Angola’”, explica o parceiro.
Em entrevista a Tárik de Souza, o produtor Fernando Faro reafirma que Vinicius trabalhou até pouco antes de morrer. “Na madrugada em que se foi, vertia do italiano para o português os poemas da Arca. E cobrava de mim: ‘Faro, me dá logo esse treco!’. Ele respirava esse disco, atento a todos os detalhes”, conta o produtor dos shows e dos álbuns da dupla Toquinho-Vinicius.
Nesse processo das escolhas dos poemas, o poeta percebe que perdeu uma das músicas. “O Vinicius era muito desorganizado. Quando ele estava separando as músicas que entrariam no segundo disco, percebeu que havia perdido o poema ‘O Pintinho’. Eu tive de traduzir a versão italiana lançada pelo Sergio Endrigo como ‘Il Pulcino’. E aí ele refez o poema a partir da minha tradução”, relembra Gilda.
A primeira A Arca de Noé é lançada pela gravadora Ariola em LP e fita-cassete numa sexta-feira, 10 outubro de 1980, numa operação casada com a TV Globo, que produz o especial Vinicius para Crianças, apresentado naquele mesmo dia. Apesar de ter sido gravado pouco depois do primeiro, o segundo volume da Arca chega ao mercado no ano seguinte.


INFORMAÇÕES RETIRADAS  ATRAVÉS DO SITE (ITAÚ CULTURAL): www.albumitaucultural.org.br